Curiosidades

Sabias que…


A origem do nome “Tamanca”

Declinava o primeiro quartel do século XVIII, quando em Braga se estabeleceram duas piedosas mulheres, calçadas de tamancas.
Oriundas de Taboaças, Vieira do Minho, trouxe-as, ao que parece, o desejo de bem-fazer. Águeda e Maria de Jesus – eram irmãs – pretendiam fundar um recolhimento feminino.
Autorizadas pelo Arcebispo Moura Teles em 1724, lançaram as bases do instituto na Cangosta da Palha, junto dos Congregados; em breve, porém, tiveram de escolher outro sítio, por desinteligências com os Padres do Oratório.
Em 1727 ausentaram-se para a antiga Rua do Assento da freguesia de S. Vitor extramuros desta Cidade. Aí, diz Senas Freitas, “compraram um campo; e em menos de seis mezes fizeram uma casa para recolhimento, com cellas, portaria, e o mais necessário”.
Estava, assim, fundado o Recolhimento que velhos manuscritos intitulam de Nossa Senhora do Rosário, mais vulgarmente designado de S. Domingos da Tamanca.


A ele se refere, Camilo Castelo Branco no romance O Demónio do Ouro.

A cena aí referida no capítulo XXXIII do primeiro volume passa-se no tempo do Arcebispo D. Gaspar. É o caso duma rapariga cujo nascimento ignominioso a levara, com sua mãe, para a Tamanca; ali cresceu, pouco resignada em seu infortúnio, até que lhe foi dado sair, aos dezanove anos, daquele pio cárcere.


A Fábrica Franqueira nasceu na Rua de S. Domingos.

Foi num barracão construído no quintal do nº 73 da Rua de S. Domingos (casa onde morou o Pelé e a família) que a “Fábrica Franqueira”, iniciou a sua actividade na industria de metalurgia, local onde o mesmo ainda se encontra e cuja casa, era na altura, a residência do seu proprietário e dos filhos, que eram mais conhecidos por “andorinhas”?


O primeiro Campo do S. C . Braga…

…situava-se em S. Vítor, junto á Rua Nova de Santa Cruz ?


No interior da igreja de S. Vítor..

…existem mais de 11 mil azulejos.


Em 1747 a paróquia de S. Vítor…

…ocupava então todo o território situado a nascente dos velhos muros medievais, incluindo as freguesias actualmente designadas por S. Lazaro e S. Vicente ?


Antes de 1727…

…a Rua de S. Domingos se designava por Rua do Assento?


Edifícios e transportes


Braga (Bernardo Sequeira) – (1951):

O Frei Celso Figueiredo foi falar com o Senhor Arcebispo de Braga que, embora facilitando tudo, não tinha Casa disponível. Em Outubro encontra-se uma Casa na Rua Bernardo Sequeira. Essa Casa é comprada, com a ajuda da Província da América, e adaptada a Seminário.


Entretanto, em Lisboa, quatro dos onze rapazes que tinham iniciado Miranda continuam a Ter aulas, administradas pelos Freis Celso Figueiredo e José M. Vioque, que tinha sido nomeado Delegado Provincial.


Em Novembro de 1950 vem para Braga o Frei Nuno Castro, que fica com o Frei Carlos Martins Gil. Começam as obras de adaptação da Casa a Seminário e também os confrades vão sendo transferidos.


Finalmente, a 15 de Outubro de 1951, é inaugurado o Seminário, com a presença do Provincial da Província Bética, Frei Gregório Barbancho. Estiveram também presentes o Vigário Geral da Diocese e o Presidente da Câmara Municipal, António Maria Santos da Cunha. Aí iniciaram os seus estudos 16 rapazes, vindos de várias partes de Portugal.


A primeira Comunidade de Braga fica constituída pelos Freis: Carlos Martins Gil, Pedro Sanchez Coleto, Casimiro Vloon e Servando Vioque.


Troleicarros de BRAGA (1963.05.28 – 1979.09.09)

Em virtude do nítido declínio da qualidade de serviço prestado pelos carros eléctricos em Braga – em serviço desde 1914 – e face aos constrangimentos económicos então verificados, a Câmara Municipal de Braga adquire, em 1961, a totalidade do material fixo e a quase totalidade do móvel do sistema de troleicarros da cidade alemã de Heilbronn, que aí havia circulado entre 1951 e 1960: 9 viaturas, caminhões-torre de apoio, e todo o material acessório – cabos elétricos, suportes, ligadores, etc., etc..


Chegado o material, é instalado entre o Depôt e Campo das Hortas um pequeno trecho de via para ensaio e o treinamento dos condutores. A primeira viagem oficial, de teste, com o troleicarro a ser conduzido por um motorista dos Serviços de Transportes Colectivos do Porto, tem lugar a 4 de Outubro de 1962.


Como os carros eléctricos usam coletor de arco, os fios condutores de energia dos tróleis têm de ser instalados separados; contudo, num determinado ponto, eles cruzam-se num ângulo fechado, deixando um distância pequena entre si. Assim, numa das viagens de teste, o troleicarro, o nº 9, ao passar por esse local, sofre uma violenta e destruidora descarga elétrica de 1400 V – o que o torna futura fonte de peças de reposição para os restantes troleicarros. Constata-se então que, certamente por erro de instalação, os carros eléctricos em Braga têm a polaridade elétrica invertida: o neutro (ou terra) está no fio aéreo, enquanto que a fase está nos carris!


Após este incidente, a instalação dos fios condutores é refeita, sendo agora colocados acima dos dos carros eléctricos. Isso obriga a que, nos cruzamentos com o fio condutor dos carros eléctricos e enquanto decorria o período de ensaios, as hastes dos polos tinham de ser baixadas sempre que um troleicarro cruzava com uma linha de eléctrico.
28 de maio de 1963, data comemorativa do levantamento militar havido 35 anos antes na mesma cidade e que vem a resultar no Estado Novo (que só vem a terminar em 25 de abril de 1974), é oficialmente inaugurado o sistema de troleicarros de Braga.


Compreende as mesmas duas linhas dos carros eléctricos : do Monte d’Arcos à Ponte de S. João (mais tarde receberá o nº 5); e de Maximinos ao Bom Jesus do Monte. Esta linha vem, mais tarde (1969), a ser encurtada no lado norte em Gualtar, enquanto que a sul é extendida cerca de 800 metros.


1967 os Serviços Municipalizados arrendam o sistema à SOTUB – Sociedade de Transportes Urbanos de Braga, a qual termina, pouco depois, com a carreira para o Bom Jesus, encurtando-a a Guartar. Na realidade, no último trecho do trajeto, há apenas um par de fios – para ida e volta – instalados nos suportes dos antigos carros eléctricos, à margem da estrada, o que dificulta a operação – tanto mais que a estrada agora foi duplicada, com a criação de um canteiro central.


Os troleicarros tinham recebido os nºs 1 a 3 (M.A.N.) e 4 a 9 (Henschel) quando chegaram a Braga; são pintados de cor creme, com os relevos em azul e o brasão da cidade e os dizeres Cidade de Braga pintados nas laterais. Em 1969 são repintados, agora de cor-de-ginja, com a parte superior creme e os tejadilhos cinzentos; e em meados dos anos 70 os carros nºs 7 e 8 são carroçados de novo pela CAMO – Carrocerias Modernas.

Duas imagens de um troleicarro partindo do seu términus, nas Arcadas, ao cimo da Av. da Liberdade,
na segunda metade da década de 60

Nesta altura circulam apenas as carreiras nºs 5 (Maximinos – Gualtar) e 6 (Ponte de S. João – Monte d’Arcos). Pequenos ajustes nos traçados vão sendo feitos conforme as necessidades e, em 1973, deixa de funcionar a linha 6. A 5 subsiste até 9 de setembro de 1979; no dia seguinte a carreira é reestruturada e o sistema de troleicarros de Braga é encerrado definitivamente. No país ele tinha sido o terceiro, e último, a entrar em funcionamento – mas é agora o primeiro a encerrar, com 16 anos de operação.



Os carros são vendidos aos SMTUC – Serviços Municipalizados de Coimbra, cujo pessoal procede à desmontagem do sistema em Braga. Dos oito troleicarros existentes, seis vão diretamente para a sucata na Curia, onde são desmontados, e os outros, de nºs 7 e 8, vão para o Depôt dos SMTUC e, embora renumerados para 48 e 49 integrando assim a frota de troleicarros de Coimbra, apenas efetuam algumas experiências, não muito bem sucedidas, nas ruas da cidade, pelo que passam a servir apenas como fonte de peças de reposição…
Aqui permancem pelo menos até 1985, quando desaparecem definitivamente – também para a sucata, certamente.