Capela de Nossa Senhora de Guadalupe

                 

Fachada Principal Fachada Lateral
     

A capela de Nossa Senhora de Guadalupe desenvolveu-se em articulação com o Campo de Santa Ana, onde se encontra, formando uma “unidade indissolúvel” (SOROMENHO, 1991, p. 84), à qual se encontra ligada a figura de D. Rodrigo de Moura Teles (ROCHA, 1996, p. 148).
A sua planimetria, e volumetria, surpreende pelos fortes contrastes materializados na oposição entre formas curvas e rectas, e pela não coincidência entre o exterior e o espaço interno do templo. Trata-se de uma planta centralizada, de alguma forma ainda presa à tradição maneirista, mas que encontra paralelo noutros exemplos de origem brasileira – a capela de Santo Ovídio, desenhada por um artista vindo do Brasil (José Álvares de Azevedo) e a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Ouro Preto (Brasil), projectada pelo bracarense António Pereira de Sousa Calheiros (OLIVEIRA, 1999, p. 96).
O plano da capela de Braga deve-se, ao que tudo indica, a Manuel Fernandes da Silva. São conhecidos dois contratos celebrados entre a confraria de Nossa Senhora de Guadalupe e este mestre arquitecto. Um primeiro, com data de 27 de Março de 1718, onde foi acordada a demolição da antiga capela de Santa Margarida, decisão que contou com o apoio do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles (IDEM p. 146). No segundo, do ano seguinte, Manuel Fernandes da Silva comprometeu-se a erguer a nova edificação segundo “os riscos que para ela se fizeram” (IDEM, p. 146). De acordo com as investigações de Manuel Joaquim Moreira da Rocha, estes dois contractos corresponderam a dois projectos, um fornecido pelos confrades e o outro, que foi seguido, concebido inteiramente pelo arquitecto (IDEM, p. 146).
As obras prosseguiram num ritmo acelerado, pois a 23 de Março de 1725, o já referido Arcebispo procedeu à benção da capela. As campanhas decorativas do seu interior prolongaram-se, no entanto, por mais alguns anos.
A fachada, semi-circular, é aberta por três arcos de volta perfeita, em cantaria rusticada, e ligados entre si por três pedras. Sobre o central, ergue-se um nicho com volutas laterais e frontão triangular no remate. Atrás do vidro, encontra-se a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.
A nave, sextavada, é coberta pela cúpula que, no exterior, se eleva acima dos restantes volumes. As pilastras que, no interior, definem os panos de parede, enquadram os púlpitos e os vãos que aí se desenham. As capelas laterais são abertas por arcos de volta perfeita, apresentando retábulos de talha polícroma, executados no século XIX e de gosto neoclássico. O arco triunfal, a pleno centro, é fechado pelo brasão da confraria.
Na capela-mor ganha especial interesse o retábulo, cujo risco se deve a André Soares, constituindo um dos últimos retábulos desenhados por este arquitecto e que até há pouco tempo permanecia desconhecido. Concebido numa linha rococó, este trabalho vem questionar, segundo Eduardo Pires de Oliveira, a evolução que o investigador norte americano Roberth Smith havia traçado para a obra de André Soares, ao defender que o arquitecto “no final da sua carreira estava já a deixar o rococó e a aceitar o neoclassicismo” (OLIVEIRA, 1999, p. 97). A autoria de André Soares foi-nos revelada pelo contrato celebrado a 4 de Dezembro de 1768 com o mestre entalhador Manuel Carneiro da Costa, que executou o trabalho seguindo o risco do célebre arquitecto (IDEM).
(Rosário Carvalho)

Fonte: IPPAR